Embora o livro de Clarice Lispector que eu tenha lido um maior número de vezes seja A paixão segundo GH, sofri mais o impacto de seus contos.A minha Clarice, portanto, é a contista.
Por trazerem uma concentração de emoções e de linguagem, seus contos se tornaram uma referência para mim. A dispersão de seus romances tem um efeito literário e filosófico extremamente interessante, cifrando uma modernidade narrativa. Reconheço e admiro tal efeito, mas ele está distante de minha sensibilidade de escritor. Já seus contos, estes criam uma tensão existencial que me leva a sofrer com a condição órfã do indivíduo sensível.
Talvez esta seja a grande marca dos personagens de Clarice: eles não têm proteção diante do mundo. Qualquer pequeno acontecimento mais áspero cria uma instabilidade brutal, exigindo que se reconstrua uma segurança mínima contra o sem-sentido da vida. Seus contos operam isso em uma estrutura bem-amarrada, dando-nos um sentimento de plenitude mesmo diante do vazio.
Não poderia concordar mais. "Laços de família", pra mim, é o grande livro dela.
ResponderExcluir