Entre os trabalhos ligados à literatura, há o de escrevedor de orelhas. Este tipo de espaço tem uma lógica. Só admite a admiração. Se não admirarmos o livro que estamos apresentando, a orelha se faz falsa. Então, esta talvez seja a pior prova a que é submetido um homem de letras, este ser adaptado a todos gêneros – ficção, poesia, crítica, crônica, contos etc.Fiz muitas orelhas nos últimos anos, sempre me preocupando em ajudar, com a pequena força que meu nome possa ter, a formar público para a literatura brasileira. Algumas de minhas críticas de jornal acabaram saindo como orelha ou texto de quarta-capa de livros de autores que nem conheço. E nunca me opus a nenhuma destas apropriações. Eu mesmo me vali deste recurso em meus livros.
Tudo isso é legítimo.
Mas ultimamente ando meio sem jeito de escrever orelhas para livros alheios.
Para meus livros, tenho preferido o trabalho anônimo de alguém da editora, ao qual acrescento uma ou outra palavra ou do qual retiro alguma frase.
Convidei três amigos, em momentos diferentes, para escrever orelhas para mim. Quando saiu Hóspede secreto (2003), falei com o Luiz Rufatto, que fez um belo texto para o livro. Tempos depois, pedi para o poeta e crítico Felipe Fortuna um texto para os poemas de Venho de um país obscuro (2005). Ele morava em Londres. Mandei o material impresso pelo correio. Houve idas e vindas de cartas. Quando o texto chegou, o livro já tinha mudado tanto, era outra coisa, e a orelha já não servia mais nele. Fiquei constrangido, mas não pude aproveitar a apresentação.
Foi neste momento que decidi não usar orelha assinada. A editora poderia se valer do material sobre meus livros que saísse na imprensa. Ou escrever algo mais publicitário e impessoal.
Mas houve ainda mais um episódio. Quando estava para sair o romance A primeira mulher (2008), criou-se uma grande expectativa editorial – que depois se frustrou – e fui convencido a pedir uma orelha para uma pessoa com quem eu tinha tido muito contato. Como eu resenhara praticamente todos os livros deste amigo, fiquei envergonhado com a coisa toda. Mas não queria deixar que a editora pensasse que era um descaso. Venci o pudor e pedi.
Educadamente, o amigo alegou um problema de acúmulo de trabalho e eu fiquei aliviado.
Não solicitaria mais tais favores. Até porque uma orelha só funciona se for um discurso amoroso. E ninguém pede para ser amado.
eu só costume ler sinopses, matérias, resenhas e orelhas depois de ler os livros. às vezes falam mais do q deveria e fico furiosa. eu adoro a sensação da descoberta. assim que termino de ler e escrevo meu texto que saio procurando tudo o q saiu sobre o livro e leio. é instigante. eu comprei em um sebo o amor anarquista. qd ler te aviso. tenho sempre curiosidade sobre o q representa para um autor o seu livro ser comprado em um sebo. se prejudica. se puder expor sobre as formas de aquisições de livros, agradeço. beijos, pedrita
ResponderExcluirOi, Pedrita
ResponderExcluirO texto de hoje foi feito especialmente para você.
Abraço
msn
nossa, quanta honra, muito obrigada, vou ler.
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