Agora, quando chegou a velhice,
não esperemos nada, Elsa disse.
Borges tomava um café diferente,
uma mistura saborosa de leite,
e pensou, sem ousar lhe dizer:
por pior que a velhice venha,
ainda permitirá certos prazeres,
como ouvir um belo poema,
pois nesta minha sina de cego
só em sonho eu voltarei a ler.
E tomou aquele café com leite
com os lábios de primeira vez.

Uma reflexão atemporal, Miguel; quando nos deparamos com as limitações da idade uma atitude de lucidez renovada precisa tonificar a vida. Infelizmente, bem diversa é a atitude do homem comum, pois nos entregamos à lassidão diante das barreiras impostas pela decrepitude do corpo. Quão diferente é, no entanto, a lição do poeta, hein?
ResponderExcluirReceba o meu abraço e cumprimentos pela seleção poética tao pertinente.
Olá, Miguel. Ótimo texto.Sei que não é relevante, mas fiquei curioso a respeito de Elsa. Ela foi esposa de Borges? Ou a única mulher da vida dele foi a mãe, Leonor, e depois Maria Kodama?
ResponderExcluirAbraços
Elsa foi uma paixão da juventude de Borges, mas ela só se casa com ele em 1967, quando Borges já era famoso. Mesquinha e enlouquecida, ela transforma a vida de Borges num inferno. Borges a amava, tem um poema bonito para ela, mas se separam em 1970, quando Maria Kodama é uma presença forte na vida dele. Houve outras paixões antes, todas infelizes, principalmente pela presença opressiva da mãe do escritor.
ResponderExcluirmsn
A transitoriedade da vida pode ser compensada pela permanência das obras.
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