quarta-feira, 27 de abril de 2011

MINHA CASA DE CAMPO

Trabalhar em casa (numa casa com adolescente, criança, cachorro, vizinhos com cachorros, e mais o ruído natural do bairro) é um desafio para a concentração de qualquer um.
Para quem escreve ficção acho ainda mais difícil, pois o barulho nos tira do mundo que está sendo imaginado, chamando-nos para um tempo presente cheio de atrativos impostos. Por isso, prefiro sempre as madrugadas para a escrita de ficção. Foi durante as minhas matinadas que escrevi quase todos os romances.
Mas este ano tirei uma licença sabática e queria me dedicar em tempo integral a um livro, coisa que nunca pude fazer. Então, tenho tentado escrever durante o dia doméstico; e vinha até conseguindo.
Daí começamos uma reforma aqui em casa.
Convivo hoje com pedreiros, pintores, marceneiros, todos com suas ferramentas ruidosas trabalhando ao mesmo tempo.
Foi o que me levou a tomar uma velha decisão: comprar um protetor auditivo tipo concha. É com ele que escrevo esta nota, enquanto os carpinteiros trocam o telhado da biblioteca logo acima da minha cabeça. Ainda ouço o barulho de furadeiras, de martelos, mas é como se viesse de longe.
Conquistei assim o silêncio das madrugadas no campo, com a vantagem de não ouvir nem o cantar dos galos.

6 comentários:

  1. Miguel, onde eu trabalho este protetor é um EPI obrigatório e tem um rapaz que se recusa a usar porque afirma que o dispositivo lhe "aperta as ideias na cabeça"...(risos).Já no seu caso parece que ele não as deixa fugir dela. Cada um com seu cada qual...Beijos, Vanessa.

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  2. É bastante curioso conhecer a realidade de um escritor, principalmente para aqueles que como eu sonham algum dia chegar neste nível. Muitas vezes temos a impressão que basta sentar e sair escrevendo. Vejo que não é bem assim. Bastante interessante a dica do protetor auditivo.

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  3. barulhos de reforma até não interferem tanto na minha concentração. mas raramente trabalho com música. e no meu caso só tem uma gata que de vez em quando tira a minha concentração. mas até ajuda pq aí eu dou uma espairecida e volto. eu costumo escrever mais de manhã. é quando aqui há menos interferência de telefone. beijos, pedrita

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  4. Também faço uso deste dispositivo. Porém, além dele uso também tampões (de cor laranja) que coloco diretamente no ouvido. Assim o som é isolado quase completamente. Tem naquela lojinha de esquina de equipamentos de proteção, ao lado da J. Imave (Balduíno Taques).

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  5. Três ruídos tiram a minha concentração, Miguel: latidos intermitentes, furadeira em ação e aparadores de grama; perco o rumo completamente.

    Invejo a sua capacidade de ajuste aos ruídos; não fico nada, nada à vontade com fones de ouvido.

    Abraço.

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