Em seus depoimentos, o ficcionista mineiro Luiz Vilela, meu mestre e amigo, fala que o mais difícil, em um romance, é conseguir “arrancá-lo do nada” – em seguida vêm as revisões, as mudanças, as melhorias, mas foi preciso uma força muito grande para dar uma existência ao texto.
Quanta verdade nesta expressão. Escrever é tirar histórias desse vazio que nos rodeia.
Mesmo um romance realista ou altamente autobiográfico opera este milagre: o nada se faz linguagem. Antes de nossa intervenção era a vida esboroando a cada segundo, a cada frase. Depois, ela se fixa em um conjunto de palavras.
Diariamente o escritor luta contra esse nada.
sim.
ResponderExcluirOi Miguel, tenho gostado muito de suas breves postagens como essa, que nos fala e nos instrui -- pretensos escritores. Li "O Inferno é Aqui Mesmo", do mestre citado, após ser recomendado por você. Abraço.
ResponderExcluirrealmente, escrever e lançar sem nem ao menos uma revisão é quase um assassinato. beijos, pedrita
ResponderExcluirEnxergo certos escritos (romances, contos, crônicas) como uma fotografia, ou um "instantâneo", como dizia meu avô. Um momento único que é genialmente captado e materializado. A fantástica subjetividade daquele que percebeu, valorizou e prendeu para sempre aquele átimo. Me parece quase sisifista, mas muito, MUITO nobre. Abçs, Vanessa.
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