sábado, 8 de outubro de 2011
CONSERVAÇÃO DE LIVROS
A pedido de um dos herdeiros de Wilson Martins, fui ver o escritório que o crítico deixou, e ao qual tentaremos dar um destino público. São poucos livros, uns 500, pastas com correspondências e outros materiais. Nas estantes, Wilson só retinha livros de referência e de amigos. Os demais iam para a Biblioteca Pública do Paraná – já que a imensa biblioteca da época da História da Inteligência Brasileira fora vendida para a Universidade de Princeton, antes da vinda definitiva dele para o Brasil.
Entrei no apartamento quase todo vazio, apenas uns móveis perdidos nos cômodos e quadros na parede. No pequeno escritório, onde estive várias vezes, o que mais me machucou foi um envelope que ele estava endereçando a alguém – ficou no carro de sua máquina de escrever elétrica. Na mesa, uma carta padrão de fim de ano, dizendo que estava mal da pneumonia (era câncer, mas ele não comentava nem com os parentes) e que não podia mandar notícias, mas em breve ele as enviaria, completando: “se o homem do crematório não chegar antes”.
Chegou.
Na prateleira, o livro-chave para ele: Sertões, de Euclides da Cunha, em edição de 1937, com uma dedicatória de todos os seus colegas de secundário. Ali começava a carreira do crítico. Era, segundo os amigos, uma obra para ser conservada durante a vida inteira.
Ele a conservou.
Agora são seus amigos que devem continuar conservando-a.
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triste. não deve ser fácil encontrar um lugar que foi um ambiente tão intenso culturalmente estar tão sem vida. só os livros silenciosos. beijos, pedrita
ResponderExcluirBela homenagem. Wilson Martins deixou lastro que merece ser perpetuado. Beijos.
ResponderExcluirEntendo o que você sentiu, Miguel. Senti o mesmo quando estive lá no início do ano.
ResponderExcluirQuerido Miguel, fiquei muito comovido com tuas palavras. Muito. E os livros, aqui do lado, ganham significado. Sobretudo Os Sertões que igualmente carregarei por toda a vida.
ResponderExcluirO melhor dos abraços: Douglas